Comprar um terreno significa ter liberdade para utilizar a propriedade como quiser?
Não necessariamente.
Uma dúvida bastante comum aparece quando o proprietário pretende construir, reformar ou preparar um lote para uma atividade comercial ou residencial: é permitido cortar uma árvore que está dentro do próprio terreno?
A resposta pode surpreender e nós vamos te explicar em detalhes neste artigo.
O fato de a árvore estar dentro de uma propriedade particular não significa, por si só, que o proprietário possa derrubá-la livremente. Dependendo da espécie, da localização e das regras ambientais aplicáveis, o corte pode depender de autorização do órgão competente.
Ser dono do terreno não significa poder cortar qualquer árvore
O direito de propriedade garante ao proprietário diversas possibilidades de uso do imóvel.
Porém, esse direito possui limitações previstas em lei.
A legislação ambiental estabelece regras para a proteção da vegetação e de determinadas espécies arbóreas.
Além das normas federais, municípios e estados podem estabelecer regras específicas para o corte, a poda ou a remoção de árvores.
Por isso, uma árvore localizada dentro de um lote particular pode estar sujeita a regras ambientais.
Imagine, por exemplo, uma pessoa que compra um terreno para construir uma casa. Ao preparar o local para a obra, ela decide cortar uma árvore existente no lote sem consultar nenhum órgão público.
Dependendo das características da árvore e da legislação aplicável naquele município, essa atitude pode resultar em uma autuação ambiental.
Árvores nativas podem ter proteção específica
Algumas espécies nativas da região podem receber proteção específica da legislação ambiental.
A sibipiruna, por exemplo, é uma espécie bastante encontrada na arborização urbana de diversas cidades brasileiras, incluindo a cidade de Maringá, onde estamos localizados.
Entretanto, a simples identificação da espécie não é suficiente para determinar se o corte é permitido.
É necessário analisar as regras do município e do estado, além das características específicas da árvore e do local.
Também podem existir regras relacionadas a árvores consideradas protegidas, áreas de preservação, nascentes, áreas verdes ou outros espaços sujeitos à proteção ambiental.
Por isso, antes de realizar o corte, o proprietário deve verificar se existe necessidade de autorização.
Isso também vale para terrenos comerciais e industriais?
Sim. A finalidade do imóvel não elimina automaticamente as obrigações ambientais.
Um lote residencial, comercial ou industrial pode estar sujeito às mesmas regras ambientais aplicáveis à vegetação existente naquele local.
O proprietário pode ter adquirido o terreno justamente para construir um empreendimento.
Mesmo assim, isso não significa que todas as árvores existentes possam ser removidas sem autorização.
Em determinados projetos, o corte de árvores pode ser necessário para viabilizar a construção.
Nesses casos, o caminho adequado é verificar previamente quais autorizações são necessárias e quais medidas devem ser adotadas.
Dependendo da situação, pode haver exigência de compensação ambiental ou outras condições para a autorização.
O que acontece se o proprietário cortar a árvore sem autorização?
O corte realizado em desacordo com a legislação pode resultar em uma infração administrativa ambiental.
Nesse caso, o proprietário pode ser autuado pelo órgão ambiental competente e ficar sujeito às penalidades previstas na legislação.
A existência de uma multa, porém, não significa que o proprietário perde automaticamente todas as possibilidades de defesa.
O processo administrativo ambiental deve respeitar o direito de defesa e o contraditório.
Por isso, quando ocorre uma autuação, é importante analisar o auto de infração, a legislação utilizada e as circunstâncias do corte.
Dependendo do caso, pode ser possível apresentar defesa administrativa e questionar a penalidade aplicada.
Recebi uma multa. Ainda posso me defender?
Sim.
A aplicação de uma autuação administrativa não significa necessariamente que a multa já seja definitiva.
O proprietário pode ter a possibilidade de apresentar defesa e, posteriormente, recursos dentro do procedimento administrativo.
Por isso, ignorar uma notificação do órgão ambiental pode ser um erro.
O ideal é procurar orientação assim que receber o auto de infração.
Um profissional poderá analisar a documentação e verificar se houve irregularidade no procedimento, se a conduta realmente caracteriza infração e quais argumentos podem ser apresentados.
Cada caso precisa ser analisado individualmente.
Como evitar problemas antes de cortar uma árvore?
A melhor estratégia é não esperar a fiscalização aparecer.
Antes de cortar uma árvore localizada dentro do seu terreno, procure a prefeitura ou o órgão ambiental responsável e verifique quais regras se aplicam ao local.
Também pode ser importante identificar corretamente a espécie e avaliar as condições da árvore.
Um consultor ambiental pode auxiliar na análise técnica e na identificação das autorizações necessárias.
Já um advogado pode orientar sobre os aspectos jurídicos e, caso exista uma autuação, analisar as possibilidades de defesa.
Essa avaliação preventiva pode evitar multas, atrasos em obras e outros prejuízos.
Além disso, pode impedir que o proprietário realize um corte que poderia ter sido autorizado por meio de um procedimento adequado.
O direito de propriedade também precisa respeitar a legislação ambiental
Ter um imóvel significa ter direitos sobre ele.
Mas esses direitos convivem com outras normas previstas no ordenamento jurídico.
A proteção ambiental é um desses limites.
Por isso, antes de remover uma árvore, especialmente quando se trata de uma espécie nativa ou de uma árvore localizada em área sujeita a regras específicas, é importante verificar a legislação aplicável.
A árvore estar dentro do seu terreno não significa que o corte esteja automaticamente autorizado.
Se você pretende construir, reformar ou utilizar um terreno que possui árvores, busque orientação especializada antes de realizar qualquer corte.
Uma consulta preventiva pode ser muito mais simples e barata do que lidar posteriormente com uma autuação ambiental.

